Ving Tsun: A cultura marcial chinesa para vencer as batalhas que ninguém vê
Lançado em março de 2026, o livro "Ving Tsun: A Cultura Marcial Chinesa para vencer batalhas que ninguém vê", de Leo Imamura, apresenta o sistema Ving Tsun (Wing Chun) como uma ferramenta de inteligência estratégica aplicada ao desenvolvimento humano e à gestão de conflitos cotidianos.
Os principais eixos de conteúdo abordados na obra são:
1. O Sistema Ving Tsun como Campo Transmissivo
O livro detalha que o Ving Tsun não é apenas um conjunto de técnicas de luta, mas um sistema de inteligência estratégica. Imamura explica que a transmissão no Ving Tsun não é um ensino formal ou acadêmico, mas um processo de "prover" condições para o aprendizado.O autor explica o conceito de Chuen (Transmissão), diferenciando a simples transferência de informações (transmissão informativa) da capacidade de formar indivíduos aptos a tomar decisões (transmissão capacitadora).
2. O Critério e a Medida
Os conceitos de Critério e Medida formam o núcleo da inteligência estratégica do Ving Tsun. Eles não são apenas termos técnicos, mas uma forma de ler o mundo e agir sobre ele:
Critério: É a inteligência estratégica que rege o sistema. O livro aponta que o critério é mais importante que a vitória pontual, pois ele permite estar sempre em condições de vencer.
Medida: É a aplicação do critério na realidade. Praticar o Ving Tsun é, essencialmente, "educar a medida" para que a conduta seja sempre apropriada à situação, que é soberana.
No cotidiano (as "batalhas que ninguém vê"), o Critério é a sua bússola moral e estratégica, enquanto a Medida é o seu passo.
3. Domínios e Dispositivos do Sistema
Imamura descreve a arquitetura do Ving Tsun, dividindo-a em domínios que treinam diferentes percepções:
Combate Simbólico: O uso de exercícios de braços colados (Chi Sao) e outras formas para testar a reatividade e o controle sob pressão.
Listagens e Regimes: A organização das técnicas e conceitos que moldam o comportamento do praticante.
4. A Vida Kung Fu (Kung Fu Life)
A "Vida Kung Fu" é o laboratório onde a medida e o critério são testados sob pressão real (social, familiar e profissional). Ao relatar sua convivência com o Patriarca Moy Yat, Leo Imamura demonstra que, embora a técnica seja acessível a todos, o que define o herdeiro é o seu comportamento e a capacidade de manter a integridade e o eixo em momentos de crise.
5. Liderança e Governança
A obra também aborda a organização institucional das artes marciais, discutindo a importância da salvaguarda do legado e o papel dos líderes (Sifus) como gestores dessa transmissão cultural. O texto aponta como a qualificação de novos instrutores deve ser uma consequência da capacidade de manifestar o sistema na prática, e não apenas um título burocrático.
O livro é indicado para praticantes e não praticantes de artes marciais.
No vídeo abaixo temos um diálogo entre o Grão-Mestre Leo Imamura e o Mestre Sênior Felipe Soares sobre o capítulo 26 do livro "Ving Tsun: A Cultura Marcial Chinesa para vencer batalhas que ninguém vê". O foco central é o conceito de Chuen (Transmissão) e como ele se diferencia do ensino convencional.



